segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Descarga da (Vida) Privada

Ultimamente, com o advento e posterior avanço tecnológico, de forma cada vez mais ultrajante abre-se mão de sua intimidade a troco de aparentemente nada. Que o digam o Orkut, Twitter, Blogspot e afins. Mas será que esse é um fenômeno recente?

Com a derrocada do Império Romano do Ocidente, iniciou-se, na Idade Média, a era Feudal. O que se passava em um feudo muito dificilmente era sabido pelo feudo vizinho, quanto mais pelo palácio real. O cotidiano de uma pessoa era, de fato, muito vigiado, mas não pela infinidade de pessoas com que tal fenômeno se dá nos dias de hoje, muito menos por opção do homem feudal (exceto se o indivíduo em questão for um vagal qualquer, não-habitante de feudos - não na alta Idade Média).

Devido aos avanços sociais (incluindo-se aí os ideais revolucionários de liberté, egalité e fraternité), o ser humano conseguiu, enfim, o pleno desenvolvimento de sua intimidade (a não ser, claro, que você fosse um escravo, algo de difícil concepção dos dias de hoje, também pelo fato de se reinvidicar a igualdade).

Porém, nos dias de hoje, fenômeno adverso ocorre: conscientes da abdicação de sua privacidade, a população hodierna busca de forma cada vez mais veemente uma vida menos íntima e mais pública, quer expondo seus gostos, aspectos físicos e interesses, quer divulgando o que se faz naquele dado momento.

Desta forma, restam as indagações: é o ser humano um animal digno de possuir vida privada, ou simplesmente gosta tanto de mudar que, ao adquirir uma coisa, parte em busca de seu inverso, de que era dono antes de possuir o novo? O que encontra-se em voga hoje em dia, assim o estará nos dias vindouros? O que aparentemente é novo, de fato o é? As mudanças são realmente melhores?

Não arrisco-me a responder: provavelmente erraria ao escolher qualquer uma das possíveis alternativas.

E Viva (N)a Sociedade!

É interessante como o que não se encontra na distância correta do zênite frontal de nossa face torna-se automaticamente imperceptível para nós. Se a distância é menor, encontramo-nos tão envolvidos que somos incapazes de perceber de forma clara o que encontra-se em nosso frontispício. De forma similar ocorre com quando a distância vai além da ideal: tal fato passível de análise encontra-se já tão distante de nós que já também não somos capazes de notar de maneira ideal, e acabamos não nos envolvendo da maneira correta.

Faça o teste com um livro: abra-o, ponha-o a uma distância razoável, onde você possa lê-lo confortavelmente. Depois aproxime-o bastante de seu nariz e tente ler o texto, e você perceberá que tal tarefa é de difícil (se não de impossível) execução. O mesmo ocorre com um livro aberto a uma distância maior do que a necessária.

De forma análoga acontece com os relacionamentos em geral. É por demais propagado que o ser humano é um animal social por excelência, mas pouco frisa-se no que diz respeito aos limites dessa famigerada integração. Ora, como bem se sabe, para tudo existem limites (nem que impostos por entidades de existência idealizada que em tese regulam a vida dos seres viventes de fato, sob a aplicação de eventuais penas extra-biológicas). De todo modo, valha-se do ensinamento de Bob Dylan, "don't criticize what you can't understand" (em The Times They Are A-Changing).

É típico do ser humano a preocupação com questões que englobam tudo que não nos é de interesse direto, ou seja, coisas que satisfazem prioritariamente outros. Com isso envolve-se diretamente o fator social: se não houvesse o convívio entre os indivíduos, não haveria propagação de acontecimentos e "fofocas". Nesse caso, tais fatos encontram-se por demais afastados de nossa visão, e não é correto que façamos juízos de valor acerca de tais. Parecido ocorreu com a questão da Petrobrás na Bolívia: muitos fizeram julgamentos, criticaram a atitude do presidente Lula; mas sem propriedade suficiente para tanto. Não se sabe o que de fato aconteceu para que tal atitude (ou a falta de atitude) fosse tomada.

De forma parecida acontece com o que diz respeito às matérias de seu próprio interesse, sendo que em questões referentes à nossa própria vantagem. Por vezes encontramo-nos tão atrelados aos nossos próprios interesses que não conseguimos percebê-los de forma perfeita, e cometemos alguns erros de leitura e interpretação. Podemos ver claramente isso acontecendo quando deparamo-nos com alguém que faz um investimento de risco visando um eventual lucro, e acaba colhendo apenas prejuízos.

Com isso, podemos concluir que o ideal seria ter nossas questões analisadas sob a ótica de alguém próximo, mas não envolvido da mesma forma com a matéria suscitante de questionamentos. Além ou aquém de tal zona de interpretação, temos já uma visão deturpada não-confiável. Valhamo-nos dos benefícios da sociedade, mas dela não abusemos.

domingo, 11 de outubro de 2009

Estréia!

Primeiramente, gostaria de ter habilidade suficiente para externar em meras palavras escritas o que me é intrínseco à mente. Não existe, em nosso léxico, sequer um vocábulo capaz de transmitir os sentimentos que permeiam meu ser, deixando-me em êxtase profundo pelo simples e marcante fato de encontrar-me aqui, digitando minha primeira postagem nesse blog recém-criado, para provavelmente ser lido depois de um longo tempo por mim mesmo ou por outro alguém que por acaso venha de encontro casual a esse blog.

Segundamente, seria interessante ressaltar alguns pontos que sempre far-se-ão presentes no decorrer da elaboração dos textos, como características genéticas imutáveis; mas diferentemente dessas, estarão aqui disponíveis no princípio, para que, se não do agrado de um potencial leitor, relevado em sua totalidade, não após a leitura de alguma obra já feita.

Como deve ter sido notado por você, leitor, esse texto (bem como os demais) apresenta uma linguagem um pouco requintada, característica essa provavelmente perniciosa, por vezes pelos elementos de valor semântico desconhecido terem sua significação inferida, e como é por todos sabido, em um panegírico qualquer, o termo caracterizante, independentemente de qual seja, possuirá um valor positivo e outro negativo, justamente por ser o que é: um adjetivo (não existem palavras de tal classe semântica neutras quando visa-se adular algo(uém): sempre serão ora positivas, ora negativas).

Depois de ter-se tratado da questão formal das publicações dessa página, ressalta-se o caráter material das mesmas. Com a leitura delas, perceberá o cunho fantasioso com o qual foram forjadas essas postagens. Não se admire: imagino-me em uma tribuna, proclamando essas palavras para uma multidão entorpecida, atenciosa às minhas palavras, prestes a fazer conforme digo, desde que pronunciadas de forma eloqüente o bastante para seus ouvidos. A fonte de inspiração para tais devaneios são fatos corriqueiros de minha vida em que, adequando de forma indevida a Teoria Tridimensional do Direito de Miguel Reale, extraio deles um valor próprio, e transformo-os nesses escritos.

Sim, sou fantasioso! Mas não me preocupo com isso aqui. Esse blog não tem por função primeira a divulgação externa desse material, mas apenas registrar alguns pensamentos meus para a posteridade, para, quem sabe, relê-los e gargalhar com tamanhas bobagens aqui escritas. Como o próprio subtítulo do blog indica, verba volant, animus ecfluere, scripta manent, ou seja, palavras voam e a mente esvai-se, mas escritos permanecem.

Não prometo freqüência de publicações, até porque não é uma coisa pré-programada o que aqui escrito está: na realidade, vêm com o momento e, se não se toma a devida precaução, com a mesma facilidade esvanecem-se.

Boa sorte em minha jornada!