segunda-feira, 12 de outubro de 2009

E Viva (N)a Sociedade!

É interessante como o que não se encontra na distância correta do zênite frontal de nossa face torna-se automaticamente imperceptível para nós. Se a distância é menor, encontramo-nos tão envolvidos que somos incapazes de perceber de forma clara o que encontra-se em nosso frontispício. De forma similar ocorre com quando a distância vai além da ideal: tal fato passível de análise encontra-se já tão distante de nós que já também não somos capazes de notar de maneira ideal, e acabamos não nos envolvendo da maneira correta.

Faça o teste com um livro: abra-o, ponha-o a uma distância razoável, onde você possa lê-lo confortavelmente. Depois aproxime-o bastante de seu nariz e tente ler o texto, e você perceberá que tal tarefa é de difícil (se não de impossível) execução. O mesmo ocorre com um livro aberto a uma distância maior do que a necessária.

De forma análoga acontece com os relacionamentos em geral. É por demais propagado que o ser humano é um animal social por excelência, mas pouco frisa-se no que diz respeito aos limites dessa famigerada integração. Ora, como bem se sabe, para tudo existem limites (nem que impostos por entidades de existência idealizada que em tese regulam a vida dos seres viventes de fato, sob a aplicação de eventuais penas extra-biológicas). De todo modo, valha-se do ensinamento de Bob Dylan, "don't criticize what you can't understand" (em The Times They Are A-Changing).

É típico do ser humano a preocupação com questões que englobam tudo que não nos é de interesse direto, ou seja, coisas que satisfazem prioritariamente outros. Com isso envolve-se diretamente o fator social: se não houvesse o convívio entre os indivíduos, não haveria propagação de acontecimentos e "fofocas". Nesse caso, tais fatos encontram-se por demais afastados de nossa visão, e não é correto que façamos juízos de valor acerca de tais. Parecido ocorreu com a questão da Petrobrás na Bolívia: muitos fizeram julgamentos, criticaram a atitude do presidente Lula; mas sem propriedade suficiente para tanto. Não se sabe o que de fato aconteceu para que tal atitude (ou a falta de atitude) fosse tomada.

De forma parecida acontece com o que diz respeito às matérias de seu próprio interesse, sendo que em questões referentes à nossa própria vantagem. Por vezes encontramo-nos tão atrelados aos nossos próprios interesses que não conseguimos percebê-los de forma perfeita, e cometemos alguns erros de leitura e interpretação. Podemos ver claramente isso acontecendo quando deparamo-nos com alguém que faz um investimento de risco visando um eventual lucro, e acaba colhendo apenas prejuízos.

Com isso, podemos concluir que o ideal seria ter nossas questões analisadas sob a ótica de alguém próximo, mas não envolvido da mesma forma com a matéria suscitante de questionamentos. Além ou aquém de tal zona de interpretação, temos já uma visão deturpada não-confiável. Valhamo-nos dos benefícios da sociedade, mas dela não abusemos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário